sexta-feira, 9 de maio de 2008

Diariamente


Escolhemos ser o que somos (achamos nós) desde muito cedo.

De forma aleatória, vou contar-vos algumas das minhas (?) escolhas.

Escolhi muito cedo que ia estudar, ou melhor, os meus pais escolheram que eu estudaria e eu achando que seria também o melhor para mim, escolhi da mesma forma.
Escolhi ser uma aluna razoável, quase sempre contestatária, um pouco doida, quase sempre, e um pouco atinada.
Escolhi muito cedo que iria casar. Primeiro namoraria, (sem nunca me prender a ninguém, dizia sabiamente a minha mãe, embora não fosse essa a minha vontade. O desejo era de permanecer numa só relação amorosa, coisas típicas das meninas adolescentes, creio eu, por força do fenómeno de aculturação imposto), namoraria, dizia eu, e depois casaria. Pela igreja não, uma das minhas primeiras escolhas individuais assumida, também muito cedo. Nunca me imaginei vestida com um daqueles vestidos típicos de noiva e com um ramo de laranjeiras na mão!
Escolhi ser adolescente um pouco irreverente. Andei à boleia com as amigas, íamos todas contentes para a praia do furadouro. Escolhi fumar, e escolhi deixar de fumar (ainda bem), escolhi beber, ainda bebo (não faço nenhuma ressalva, se muito ou pouco, não tenho que fazê-la). Escolhi dançar muito, ainda adoro dançar muito. A música também entrou na minha vida por via da família. Tinha um avô que tocava Oboé (bonito este nome, não é?) e eu gostava muito de ver aquele instrumento de sopro. E a propósito de instrumento de sopro:
Escolhi ter a minha primeira desilusão amorosa. Escolhi, porque sabia à partida que ela nunca poderia terminar num típico "Happy End". Mesmo assim, vivi intensamente essa tórrida paixão, e ainda bem que foi daquela forma. Tinha 19 anos. Outra escolha que tomei por força da minha vontade e não por vontade dos outros, é que nas questões do amor quem manda é sempre o coração.
Escolhi, um dia, por vontade de duas grandes amigas (que vergonha me fizeram passar) e não por minha vontade, me declarar a um rapaz loiro (sempre gostei de loiros, e atraí sempre os morenos!), agora amigo, assim o tenho em consideração, e dizer-lhe: "Olha, sabes..., é que eu..., bem nem sei como é que..." e ele num gesto bastante cavalheiresco para a idade que tinha, 21, 22 anos seriam (poucos são os rapazes desta idade com gestos próprios de cavalheiros) não deixou que eu me embaraçasse mais, disse-me que namorava, ou coisa parecida. Que tampa. Que vergonha senti. Escolhi sofrer. Faz parte do crescimento.
Escolhi ser mãe. Desde sempre. No entanto, nunca escolhia brincar com bonecas. Cortava-lhes o cabelo e depois deixavam de ter interesse. "Gostava de ser cabeleireira" era o que eu queria ser quando era menina ou então, "ser professora". Et voilá!
Escolhi deixar de escrever mais sobre as minhas escolhas.

Escolhi não saber para que lado ir ...

3 comentários:

Anónimo disse...

ola!
Eu tambem tive e tenho oportunidade de escolher muitas coisas, mas nao sei se escolhi as melhores, ou se escolhi o melhor para mim...
Sempre pensei demais nas coisas, mas nos meus pensamentos nunca ter tudo tao "atrasado"!
Seria que poderei continuar a escolher?
Nunca gostei de ser mandada e quando percebi que certas e pequenas coisas nao dependem so da munha vontade, nem vale a pena falar...
Continua a escolher com sabedoria! Escolhe para ti e ajuda numa boa escolha...

Beijinho

R. disse...

a simplicidade com que escreveste este texto,deu-lhe uma beleza especial***

Anónimo disse...

Escolhas....escolhas....
Quem não as faz?! Se são acertadas?! a vida encarrega-se de nos mostrar...
Tb eu fiz muitas escolhas,umas vezes mais acertadas que outras, mas tento sempre escolher com sabedoria! Boas escolhas...

Beijinho

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