domingo, 28 de setembro de 2008

Um dia quando a ternura for a única regra da manhã



Um dia, quando a ternura for a única regra da manhã acordarei entre os teus braços.
A tua pele será talvez demasiado bela e a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.
Um dia, quando a chuva secar na memória, quando o Inverno for tão distante, quando o frio responder devagar com a voz arrastada de um velho, estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da nossa janela. Sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi nem uma palavra, nem o principio de uma palavra, para não estragar a perfeição da felicidade.

José Luis Peixoto, "A criança em ruínas"

1 comentário:

Anónimo disse...

Tão lindo ....!!! Definitivamente sou fã do Zé Luis. Bj

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