quarta-feira, 9 de abril de 2008

O passeio das mãos



encontram-se escondidas para que ninguém as possa ver, prevaricam...
agrada-lhes o acto de prevaricar, sentem-se livres para se seduzirem, se tocarem, se sentirem, se unirem numa só...

passeiam, as mãos, um pouco perdidas, sem rumo, mas ao mesmo tempo extasiadas por simplesmente estarem...
passeiam-se sempre acompanhadas pelo mesmo desejo, o desejo de fusão numa só mão, libertas, soltas das amarras das suas âncoras...

mas o passeio das mãos tem que terminar. não podem mais estar juntas aquelas mãos.
e na despedida, depois de longos entrelaces, o aceno, como que dizendo, quem sabe, um dia, nos voltaremos a encontrar!


(foto Ricardo Fernando Silva)

2 comentários:

Anónimo disse...

A mão que toca, acto simples do tacto, que, paradoxalmente, também é a extensão da alma.
Que surpresa boa este canto do "éter".

Anónimo disse...

não tenho palavras..........
no words................

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