quarta-feira, 28 de maio de 2008

A voz de Alicia Keys


A cada instante que os olhares se cruzam, a quietude e o desejo

Imperam

Em cada momento que não existe, se eleva ao espírito a nostalgia

(d)os momentos vividos

Num contínuo sussurrar de murmúrios percorre um leito tardio

de amor!

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Silêncio



Não me peças por favor mais amor
Mais amor, não consigo renunciar.
Não me peças por favor mais, amor,
Se tanto te tenho vindo a entregar!

Não me peças por favor mais de mim
Se em mim eu já não quero mais estar.
Não me peças por favor mais, não assim
Se até a mim te faço de novo e sempre encontrar.

E no caminho que se faz vazio, frio e deserto
Entregas-te desta, daquela e da outra maneira
Silêncio...os corpos cogitam o prazer das sensações!

E as sensações trazem momentos e emoções
E as emoções, devaneios, loucuras e doces confissões.
Pschiu ... silêncio, que me quero dar outra e outra e outra vez...


(foto tirada daqui)

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Onde estará o meu amor

Por onde andas tu, marinheiro?
Que marés enfrentas no teu mar?
Preciso da tua companhia
Preciso urgente de te amar.

Por onde andas tu, marinheiro?
Por onde andas tu a marear?
Quero ficar no teu porto de abrigo
E, nele, o amor preenchido, amor que persigo.

Preenchido de beijos e abraços
Como só nós sabemos e ousamos dar.
Juntos seremos e estaremos unidos com o mar
Como se cada dia fosse o último e o terminar.

Terminar, o quê? O que não teve início nem parece ter fim...
Abraça-me com força e nesse teu abraço
Estaremos os dois unidos num enlace, assim...

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Soneto de amor

Não me peças palavras, nem baladas,
Nem expressões, nem alma...Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.

Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.

E em duas bocas uma língua..., - unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.

Depois... - abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!

José Régio

terça-feira, 20 de maio de 2008

Saudade

A minha madrinha um dia disse-me o seguinte:
"Sabes, o melhor que me podia ter acontecido era ter morrido à nascença. Assim não sofria as amarguras da vida."
Não sei se de facto isto não seria o melhor que nos podería ter acontecido a todos.

Até breve, Paulo. Um dia nos encontraremos outra vez.

domingo, 18 de maio de 2008

À espera

Nestes dias cinzentos, parece que assim continuarão,

cabe aqui fazer lembrança dos tempos que aí virão.

Caros leitores, o tempo não é de desespero, mais não.

No Maio dos amores ainda vamos exalar cheiro de Verão.

Acreditem ou não!



(Desenho de Milo Manara)

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Bom fim de semana

Dias cinzentos, outra vez! Parece que vou mesmo ficar por casa.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

À noite

Envolta no meu próprio abraço deixo-me ficar naquela quietude.

Toco-me num grande embaraço, toco-me para poder sentir.

Acordada sonho, mil tormentos meus, e sozinha viajo nos meus

pensamentos.

Vêm à lembrança sentimentos loucos de esperança.



...não é fácil...


segunda-feira, 12 de maio de 2008

Há palavras que nos tocam

Há palavras que nos tocam
Como se tivessem mãos
Palavras de desejo, paixão
Palavras de muito desejo e sedução.

Há palavras que cantam
Entoam histórias vividas
E nesse canto encantam com
cantigas de amor sofridas.

Há palavras que arrebatam
São intensas e provocantes
Há palavras que provocam
Nus, os corpos ondulantes.

Há palavras guardadas
Palavras indizíveis
Palavras só retratadas
Em histórias impossíveis.



(inspirada no poema de Alexandre O'Neill, "Há Palavras que nos beijam")

Vamos dançar?



John Lee Hooker & Santana - Chill Out

domingo, 11 de maio de 2008

Maria

Alter ego ou alterego (do latim alter = outro ego = eu) pode ser entendido literalmente como outro eu, outra personalidade de uma mesma pessoa. O termo é comumente utilizado em análises literárias para indicar uma identidade secreta de algum personagem ou para identificar um personagem como sendo a expressão da personalidade do próprio autor de forma geralmente não declarada.

Neste enquadramento, podemos depreender que os blogues são (também) o alterego dos seus bloggers. Ou não?



(desenho de Milo Manara)

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Diariamente


Escolhemos ser o que somos (achamos nós) desde muito cedo.

De forma aleatória, vou contar-vos algumas das minhas (?) escolhas.

Escolhi muito cedo que ia estudar, ou melhor, os meus pais escolheram que eu estudaria e eu achando que seria também o melhor para mim, escolhi da mesma forma.
Escolhi ser uma aluna razoável, quase sempre contestatária, um pouco doida, quase sempre, e um pouco atinada.
Escolhi muito cedo que iria casar. Primeiro namoraria, (sem nunca me prender a ninguém, dizia sabiamente a minha mãe, embora não fosse essa a minha vontade. O desejo era de permanecer numa só relação amorosa, coisas típicas das meninas adolescentes, creio eu, por força do fenómeno de aculturação imposto), namoraria, dizia eu, e depois casaria. Pela igreja não, uma das minhas primeiras escolhas individuais assumida, também muito cedo. Nunca me imaginei vestida com um daqueles vestidos típicos de noiva e com um ramo de laranjeiras na mão!
Escolhi ser adolescente um pouco irreverente. Andei à boleia com as amigas, íamos todas contentes para a praia do furadouro. Escolhi fumar, e escolhi deixar de fumar (ainda bem), escolhi beber, ainda bebo (não faço nenhuma ressalva, se muito ou pouco, não tenho que fazê-la). Escolhi dançar muito, ainda adoro dançar muito. A música também entrou na minha vida por via da família. Tinha um avô que tocava Oboé (bonito este nome, não é?) e eu gostava muito de ver aquele instrumento de sopro. E a propósito de instrumento de sopro:
Escolhi ter a minha primeira desilusão amorosa. Escolhi, porque sabia à partida que ela nunca poderia terminar num típico "Happy End". Mesmo assim, vivi intensamente essa tórrida paixão, e ainda bem que foi daquela forma. Tinha 19 anos. Outra escolha que tomei por força da minha vontade e não por vontade dos outros, é que nas questões do amor quem manda é sempre o coração.
Escolhi, um dia, por vontade de duas grandes amigas (que vergonha me fizeram passar) e não por minha vontade, me declarar a um rapaz loiro (sempre gostei de loiros, e atraí sempre os morenos!), agora amigo, assim o tenho em consideração, e dizer-lhe: "Olha, sabes..., é que eu..., bem nem sei como é que..." e ele num gesto bastante cavalheiresco para a idade que tinha, 21, 22 anos seriam (poucos são os rapazes desta idade com gestos próprios de cavalheiros) não deixou que eu me embaraçasse mais, disse-me que namorava, ou coisa parecida. Que tampa. Que vergonha senti. Escolhi sofrer. Faz parte do crescimento.
Escolhi ser mãe. Desde sempre. No entanto, nunca escolhia brincar com bonecas. Cortava-lhes o cabelo e depois deixavam de ter interesse. "Gostava de ser cabeleireira" era o que eu queria ser quando era menina ou então, "ser professora". Et voilá!
Escolhi deixar de escrever mais sobre as minhas escolhas.

Escolhi não saber para que lado ir ...

quarta-feira, 7 de maio de 2008

terça-feira, 6 de maio de 2008

"Sensibilidade e Bom senso"



Procuro o que sempre desejei
procuro sincera e apaixonadamente
procuro sentir repetidamente
numa procura sem início nem fim.

No encalço do que procuro
vejo o que não é possível,
o que não desejo e o que
mais desejo de verdade.

E numa busca mais real,
procuro encontrar o princípio
que serve a minha regra para
ter que deixar de procurar.

Mas há sempre a porta aberta, a hipótese levantada.
E aí, o acto de procurar vai novamente inquietar
o espírito de quem só quer encontrar e ser encontrada.


(foto Graça Loureiro)

domingo, 4 de maio de 2008

Poema à Mãe

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe.
Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me?
-às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.


Obra poética de Eugénio de Andrade,
in «Os Amantes Sem Dinheiro»

sábado, 3 de maio de 2008

Há dias assim



Que dias são estes
em que nada me preenche
que dias são estes
em que nada me satisfaz.

Que dias são estes
em que tudo me consome
que dias são estes
em que tudo me mortifica.

Que dias são estes que passo
sozinha com os meus pensamentos.
Que dias são estes...


(Foto de Alba Luna)

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Provocações


Para o livro eu ler, nele terá que escrever.

Agora decida se lhe apetece ou não o fazer .

(foto Ricardo Carvalho)

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